26 de junho de 2010

Planeta Eu - Por Esmir Filho

by Ana Paula de Almeida às 16:20

Quando percebi, estavam todas amarelas. A primavera chegou sem eu ter dado conta que o solo já tinha sido rasgado. De longe não dá nem pra notar. Mas, de perto, elas aparecem demais. Tudo que é visto de muito perto, perde seu encanto e seu mistério. As espinhas amarelas cobrem minha cara e é uma pena que não posso chamá-las de flores.
Parei de chorar na frente dos outros na mesma época em que comecei a chorar sozinho no meu quarto. Sinto o gosto salgado das lágrimas todas vez que elas chegam na minha boca, mas não sei dizer se é bom ou ruim. Talvez eu preferisse o gosto do Danoninho de morango congelado que eu insistia em chamar de sorvete quando era criança. Mas isso já faz tempo.
O chaveiro rosa escrito "Identities" arrebentou-se do zíper da minha mochila e achei que foi um recado pra mim. Lembrei de uma frase que li em algum blog: "Sou sempre o mesmo, mas com certeza não serei o mesmo pra sempre". Chego à conclusão de que crescer é se conhecer cada vez menos.
Hoje, o MSN apita, indicando que você entrou e espero feito idiota você me dar oi. É claro que você não diz nada. Eu digito "e aí?" e só fico imaginando você fechando a janela e me ignorando, antes de seu status mudar para "away". Gostaria de poder culpar as espinhas por isso, mas você nem sabe que elas estão aqui.
Ainda insisto em ler livros e ver filmes que me fazem pensar. Talvez seja o único da minha idade que gosta de fazer isso. Ou talvez eu seja mesmo de um planeta diferente, esperando para ser resgatado e então encontrar aqueles que se parecem comigo.

1 comentários:

missa_nana on 27 de julho de 2010 18:20 disse...

perfeito!

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