9 de julho de 2011

Quando se perde o sentido

by Ana Paula de Almeida às 16:39 0 comentários Links para esta postagem


Tenho tentado me manter afastada de tudo que não me faz bem, do cafézinho da tarde ao cd Under the Iron Sea, do Keane. Não que eu não goste mais, é que tem me provocado dores físicas mesmo. Quando o que você mais ama passa a te machucar é a hora de se acostumar a viver sem. É claro que eu preferiria viver uma vida de aventuras mas com prazer que me privar de coisas que um dia me fizeram tão bem. Entretanto, chega uma hora que a queimação causada pelo café é maior que o prazer proporcionado pelo mesmo. E como tem amor que é assim, mais machuca que faz bem, mas não existe a coragem de dizer não quando ele está a nossa frente.
É fácil julgar as pessoas que se afundam em relacionamentos destrutivos quando se está de fora. Porém, eu já vivi um amor assim, e por muito tempo suportava segurando numa ponta de esperança como uma pessoa que está a beira de um abismo e se sustenta num galho seco. Quando as lágrimas se tornam mais frequentes que os sorrisos é sinal de que a ponta do galho seco não está mais sustentando, mas está esfolando suas mãos e te fazendo cair no precipício. Quantas vocês você já se perguntou se valia a pena, e mesmo sabendo que não, continuou seguindo em frente?
Mas chega uma hora que as mãos estão calejadas e demais e você resolve se jogar. E é nesse momento que, como um milagre ou um passo de mágica, uma força te joga pra cima e te ajuda a levantar. É porque você estava a beira desse abismo justamente por carregar um fardo que te deixava pesado demais pra se levantar. Algumas pessoas dizem que não desistem até chegar ao final, mas não se dão conta de que o final só chega quando você desiste. Às vezes é melhor ser "covarde" a ponto de dizer não em nome do amor próprio que agir pelo impulso hedonista de se conseguir o prazer imediato, mesmo sabendo que as consequências futuras não pagam em nem um terço a sensação boa do início.
Tem uma hora que tudo perde o sentido, todo seu esforço, sua resiliência, sua resistência e sua insistência passa a valer nada, e o melhor nessas horas é dizer "eu não quero mais". É que se tanto medo de abandonar o que um dia te fez bem, pois acredita-se que nunca nada substituirá essa sensação. Mas eu digo com propriedade: nada é insubstituível. E quando se aprende a desapegar de prazeres destrutivos é como se os olhos se abrissem de uma cegueira proposital e se passam a enxergar outros pequenos prazeres da vida. É só ter a coragem de dizer: "Isso não faz sentido e eu não quero mais".

Ana Paula de Almeida
 

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