28 de maio de 2012

Eu não quero mais metades

by Ana Paula de Almeida às 09:00 0 comentários Links para esta postagem


Você me diz que eu tô estranha. É claro que eu tô estranha. Você me joga uma bomba dessas no colo e espera que eu me comporte como se nada tivesse acontecido. Não sei se você percebeu, eu não sou atriz, nunca participei das aulas de teatro do colégio e nunca soube disfarçar. Não sou de ficar falando muito, mas não precisa ficar todo surpreso por causa da minha reação. Você chega e diz que vai se mudar pro outro lado do planeta e espera que eu te abrace e deseje boa sorte? E eu nessa história? Não, eu não tô sendo egoísta, eu quero muito que você seja feliz, que você cresça e tenha sucesso, só que eu quero fazer parte dele, eu acho que eu tenho direito. Eu não quero que você fique aqui por minha causa, mas eu quero que você fique perto de mim.

Sabe o que é, é que eu cansei de me contentar com a metade. Desde criança eu sempre tive que dividir tudo com os outros. “Coitadinha da sua irmã, ela é pequena, dá sua boneca pra ela”, “Coitadinho do seu coleguinha, divide seu lápis de cor com ele”, “Coitadinha da sua amiga, divide sua saia preferida com ela”. E eu? Ninguém pensa em mim? E eu não quero te dividir com outro país inteiro.

Eu não tô sabendo lidar com a ideia de que daqui a alguns meses eu não vou ter mais o seu olhar todo dia na hora de acordar. Não vou ter você pegando no meu pé porque eu usei seu gilete pra depilar minhas pernas. Não vou ter você brigando comigo por causa do controle remoto e caindo na risada por causa dos meus comentários sem noção na hora do futebol. Não vou ter você me dando banho de mangueira na hora de lavar o carro. Não vou ter você pra deitar no meu colo e eu fazer carinho no cabelo depois do trabalho. Poxa vida, a gente era mais que namorado, nós éramos parceiros e você prometeu cuidar de mim quando eu derrubei minhas defesas pra ficar com você. Eu deixei você construir uma ponte entre a gente pra você aumentar ainda mais a distância.

E eu não vou aprender a lidar com essa discrepância de um dia pro outro não ter mais você aqui, por completo. Eu não quero ficar com a sua metade enquanto você leva meu coração por inteiro. Só se você deixar seu coração por completo aqui e prometer que vem buscar. Porque quando é o “nós” que está em jogo, eu sou egoísta e não aceito metade.

11 de maio de 2012

Do cansaço iminente.

by Ana Paula de Almeida às 22:57 0 comentários


Eu fiquei olhando por alguns longos minutos pra essa página branca sem ter ideia do que iria escrever. Tem dias que seu coração tá tão cheio de sentimentos que é impossível se expressar. Simples assim. Parece que dentro de mim tá acontecendo um turbilhão, uma tempestade marítima, daquelas dignas de filmes americanos. É até difícil definir. Na verdade, o que eu sinto não tem definição. É uma mistura de raiva, com mágoa, com vontade de chorar e ao mesmo tempo vontade de fazer tudo diferente e progredir. 
É um daqueles momentos que tudo o que você quer é desaparecer. Dormir e acordar numa realidade paralela, onde todos os seus problemas podem ser solucionados com uma boa dose de cerveja. Seria bom se fosse assim.
Mas hoje também é um daqueles dias em que eu paro e penso: fugir não resolve nada. Tem horas que a única coisa plausível a ser feita é enxugar as lágrimas e enfrentar os problemas, por mais que doa, que machuque, que pareça que você não é forte o bastante. O meu problema é lutar sozinha, é olhar pros lados e ver que no final, a questão é comigo, e só eu posso resolver. Mas eu daria tudo pra ter alguém pra segurar na mão e me garantir que vai dar tudo certo.
Eu só queria um colo pra chorar e um olhar carinhoso pra ouvir meu desabafo. Porque eu cansei de guardar tudo dentro de mim porque não tem ninguém pra ouvir. Por mais que eu pareça forte, até as fortalezas tem fragilidades, e as minhas cada vez mais se mostram vulneráveis. E eu cansei de sentir segurança em alguém que eu sei que vai me abandonar na primeira esquina, que vai soltar da minha mão quando vier a primeira turbulência. 
Eu cansei de ouvir que eu "tenho que ter paciência". Eu não quero mais ser paciente, eu quero agir, mudar as coisas, não posso ficar esperando que elas mudem sozinhas. Eu não posso ter paciência.
Eu só quero alguém pra atravessar esse mar turbulento comigo. Alguém que vai me proteger e depois festejar junto o nascer do sol. 
Só que eu me cansei de esperar. 
 

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